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VIAJAR, MISSÃO TRANSCENDENTE
08/09/2016

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Por Fernando Dourado Filho, de Budapeste, Hungria

Ninguém é obrigado a ser grande comunicador. Tampouco está escrito nos manuais que deva ter capacidade narrativa ou mesmo o gosto em compartilhar experiências. Isso porque tem gente de natureza introspectiva que julga as próprias vivências por demais desinteressantes e banais para justificar um relato detalhado. Se esse elenco de características tem de ser respeitado, também é certo que essas pessoas frustram a expectativa de familiares e amigos ao resumir as viagens à expressão mais simples. Diálogos como os que seguem não são de todo inverossímeis. Como foi sua estada em Londres, Fulano? "Legal". E em Bogotá? "Ah, choveu um pouco". E em Araçatuba? "Fazia um calor tremendo". E aí se esgotam os relatos. Que lástima.

Na minha perspectiva, sempre pensei: jamais poderia conviver com uma pessoa assim. Um indivíduo que visse o mundo em preto e branco e que não soubesse contextualizar os fatos é, sob quaisquer hipóteses, uma companhia decepcionante. Isso porque sou dos que acham que expressar-se é bom e que compartilhar também faz bem ao espírito. Ainda que mais não seja apenas em solidariedade à curiosidade de amigos e parentes que, legitimamente, se interessam em saber além do óbvio meteorológico. Mas o que se há de fazer? No âmbito das famílias, simplesmente temos de aceitar as pessoas como elas são. Quantas vezes não vi em pais e avós desapontados um laivo de frustração ao constatar que pouco ou nada souberam das experiências de filhos e netos por conta de uma irredutível economia de palavras? "Ele é assim mesmo". 

Nos ambientes profissionais, porém, convém atentar para o papel vital que podem ter aqueles que, não sendo loquazes, se esforçam em traduzir o que observaram, deixando à audiência o critério de triar o que é relevante para seu trabalho ou não. Dessa forma, assim como espiões e agentes de informação são obrigados a dar um "debriefing" sobre o que viram tão logo retornam de uma missão até as hostes inimigas, compete à direção das áreas da empresa fazer com que as informações sejam compartilhadas por multiplicadores da forma mais inteligível e democrática possível. Isso porque aqueles que atuaram no "front" avançado dos mercados e das negociações são os mais abalizados para dar uma visão em perspectiva dos rumos da corporação a que todos pertencem. 

No meu caso específico, tendo atuado em dezenas de mercados em todos os continentes ao longo da vida, nunca tive dificuldade especial em reproduzir os cenários e preparar novos quadros nas empresas por onde passei para abraçar horizontes mais desafiantes. Tenho quase certeza de que, aqui de novo, muito devo a meus pais. À minha mãe, devo o gosto pela narrativa elaborada, rica em detalhes e, não raro, até mesmo carente de objetividade. Mas o que importa? Com meu pai, aprendi cedo que compartilhar era mais do que uma gentileza. Tratava-se de mostrar que a missão ao exterior valera e de que vira mais do que o evidente. O que resultava daí? Ora, um renovado incentivo para que ele bancasse a próxima viagem. E assim fui evoluindo. Dessa combinação, desenvolvi o gosto por observar detalhes que podem contar muito. 

Nesse contexto, era vital saber responder a tudo sobre o que ele perguntava: se o voo transcorrera bem? Quem sentara ao lado? Tinha rolado uma boa conversa? Qual tinha sido a primeira impressão da cidade visitada? O que comera? Quais as iguarias daquele destino? Arranjara uma namorada? Como se vestiam as mulheres? O que mais se bebia? Uísque, vinho, cerveja? As pessoas eram gentis ou arrogantes? Como tinha suportado o frio? E o calor extremado? Faltou dinheiro? Vira alguma cena impactante? Alguma decepção? As pessoas se queixavam do custo de vida? E o que se dizia do Brasil? De quanto era a inflação local? Havia vestígios da Guerra? Ruínas, pessoas mutiladas ou marcas de tiro nas paredes? Com que sonhara quando estava lá? Isso era só o começo e rendia meses de conversa. Nunca me senti invadido ou devassado. Era uma troca justa.                    

Assim sendo, quando na vida corporativa, incorporei às nossas rotinas internas animadas conversas sobre os dados concretos de um país que tínhamos como alvo. Enfatizava, sobretudo, as subjetividades. Daí decorreu um interesse crescente pela dimensão intercultural das relações internacionais. Quanto mais um executivo se superava na capacidade de ler, escrever, relatar e interpretar aquilo que vira, maiores eram suas chances de crescer. O mesmo valia para os recrutamentos que viríamos a fazer em uma etapa posterior – essas voltadas para profissionais de atuação global. Hoje em dia, os recursos disponibilizados pela tecnologia tornam esse exercício acessível e estimulante. Traduzir contextos culturais diversos requer esforço e critério, é verdade. Mas é um ato de generosidade que deveria ser obrigatório para os que fizeram suas vidas na estrada. Quem viaja, tem de ser bom trovador, ora bolas. E não uma fonte de desperdício.

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